Mundo da pá virada

De virar e desvirar pás se constrói o mundo!

Um caminho para as mentes raivosas

mãos que tecem

o tecido da paz

 

Não consta que uma mente seja perversamente violenta 24 horas por dia. Tento crer que todo ser humano tenha a capacidade de ser pacífico e bondoso, mesmo que muitos deles o sejam somente por breves instantes. Quero dizer com isso que ninguém é somente mau. Isso me alenta, mas não resolve o problema. De que problema estou falando? Da violência que está em todo canto. Não só aquela violência escancarada, de mãos armadas, de mísseis, de fogo e gases, mas sobretudo aquela que não tem aparência, não tem corpo, nada de forma palpável, a violência psicológica. Ela existe, manifesta-se todos os dias no ambiente de trabalho, nas ruas, nos lares, entre casais. Difícil de detectar, mais difícil ainda combater. Praticada por mentes perversas, porém fracas, posto que visivelmente seu agente é um sujeito inseguro, que precisa impor-se pela força da chantagem emocional. Tenho ouvido relatos frequentes dessa violência. Escutei há não muito tempo o caso de uma mulher com seu pretendente e fiquei passada. Dizia a moça que o homem, homem maduro, fazia questão de deixar claro que ela era carente e precisava de um companheiro como ele, e sob pretexto de cumprir seu papel de homem ideal, impunha-lhe o que deveria fazer, até a roupa que era adequada para a vítima, sempre alertando para o risco de o perder caso não se vestisse apropriadamente, já que ele não se imaginaria convivendo com uma mulher que usasse roupas de garota. Parece uma conversinha tola entre duas pessoas apaixonadas? Não é. Nada há de tolo nesse episódio. É grave. É perverso, repito. É desrespeitoso. Tanto quanto o chefe que hostiliza o funcionário que não julga ideal, ou o indivíduo que suborna, ou o desconhecido que impõe a urgência de suas necessidades (ou desejos), valendo-se de vantagens sociais, intelectuais ou de força física. Quantas facetas tem a violência! Apesar disso, continuo crendo que ninguém é violento o tempo todo, e esta talvez seja a brecha para se tecer a paz, a harmonia, o respeito. Quem sabe isso possa evitar cenas absurdas como a que me narraram hoje em que uma comissária de bordo foi verbalmente agredida aos berros por um passageiro assim que lhe dirigiu um “bom dia, senhor”; o indivíduo respondeu com um punhado de grosserias, que a coitada custou a entender. Ele se referia à espera demasiada no saguão, segundo me relatou um conhecido que era passageiro no mesmo voo.  Eu me pergunto os motivos para tanta raiva na mente dessas pobres criaturas. Temos todos raiva momento aqui momento ali, mas o controle dessas emoções é de nossa responsabilidade, ou não teremos mais o direito ao título de “civilizados”. E qual é o caminho? Como se faz para cessarem os ataques verbais nas redes sociais? Os xingamentos no trânsito? As chantagens aos maridos, esposas, filhos, pais? Todos parecem armados nesses dias. Armados de raiva, de impropérios, de impaciência. Então o caminho é o desarmamento emocional para conter o ataque e o revide. Significa preparar as pessoas para controlarem suas ações e reações, e isso só pode ser feito verdadeiramente de uma forma, através do altruísmo. O “colocar-se no lugar do outro”, entender e aceitar que o outro sente e dispor-se a sentir o que o outro sente. Acredito que existe possibilidade, sim, para isso, se forem aproveitadas aquelas brechas psicológicas,  quando o sujeito deixa de ser perverso por alguns instantes. Não é tarefa simples com adultos, não é impossível. Seres humanos gostam de moda, que seja então difundida a moda do altruísmo; as mídias e seus produtos culturais podem ser o caminho. Com crianças é menos dificultoso, ainda que demande paciência, para o que também a mídia pode ser útil difundindo personagens, ídolos, além da útil colaboração da escola. Enfim, caminhos existem, mas nesse mundo parece que estão todos da pra virada. Sem perder a esperança, vamos seguindo para tecer a paz.

Danielle Arantes Giannini

 

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